Seis baleias beluga saíram do Canadá e chegaram em segurança aos Estados Unidos: esse foi o primeiro passo de um esforço internacional de resgate. Essas beleias fazem parte de um grupo de 30 belugas que vivem no Marineland of Canada, parque que encerrou suas atividades e não cuidaria desses animais a longo prazo. No início deste ano, diferentes aquários credenciados pela Associação de Zoológicos e Aquários (AZA) foram acionados para pensar em uma solução de resgate. A escolha desses aquários levou em conta o profundo conhecimento que eles têm sobre essa espécie, a expertise em cuidados animais e sua experiência em resgates.
As belugas viajaram em contêineres especiais com água fria, parte do trajeto em caminhão e parte em avião, até chegarem a instituições de Chicago e San Antonio. Veterinários especializados em mamíferos marinhos acompanharam os animais o tempo todo, cuidando de perto de cada um deles.
Agora, o Shedd Aquarium e o SeaWorld San Antonio, que receberam as beleias, trabalham 24 horas por dia para oferecer a elas o melhor cuidado possível, atendimento imediato e ajudá-las a se adaptar aos novos lares. Elas chegaram bem, mas um transporte desse porte é sempre delicado, e os especialistas seguem acompanhando tudo de perto, cautelosos, porém otimistas.
“Este momento marca um novo capítulo para essas belugas”, diz a Dra. Karisa Tang, Veterinária-Chefe e Vice-Presidente de Saúde Animal do Shedd Aquarium. “Agora que elas chegaram, toda a nossa equipe de cuidado e veterinária está focada em conhecer essas baleias e dar todo o suporte, tratamento e cuidado possíveis para ajudá-las a se adaptar ao novo lar.”
O Georgia Aquarium, o SeaWorld San Diego e o Oceanogràfic de Valência, na Espanha, também vão receber baleias resgatadas do parque, assim que os respectivos governos derem autorização. Já o Mystic Aquarium, mesmo sem receber nenhuma beluga, está ajudando no resgate ao ceder capacidade extra e conhecimento técnico.
SOBRE O RESGATE
Antes de o resgate começar, especialistas de todos os aquários envolvidos foram até Ontário, no Canadá, para se preparar em conjunto com as equipes do Marineland. O período serviu ainda para observar os animais mais de perto, com atenção especial ao primeiro grupo que seria resgatado. Veterinários canadenses avaliaram cada uma das baleias para confirmar que essas estavam aptas a viajar. Depois disso, as equipes transportaram as belugas em um avião 777 da Qatar Airways rumo aos seus destinos finais.
“O resgate partiu das necessidades das belugas”, conta o Dr. Chris Dold, Diretor Zoológico do SeaWorld. “O plano foi pensado com base no que sabíamos sobre a saúde geral das baleias, os laços entre elas e vários outros fatores. Conforme fomos aprendendo mais sobre os animais, os planos foram mudando naturalmente — e vamos continuar assim, nos adaptando às necessidades deles até concluirmos esse resgate inédito.”
As primeiras belugas resgatadas foram divididas em subgrupos formados a partir dos laços que já existiam entre elas, para que as baleias mais próximas pudessem se mudar juntas. Como é uma espécie extremamente social, essa dinâmica entre os animais faz toda a diferença — tanto para o conforto durante o transporte quanto para a adaptação aos seus novos lares.
“Ver essas primeiras belugas chegando em segurança aos novos lares é um marco importante, mas a jornada não termina aqui”, afirma Steve Aibel, Vice-Presidente de Animais e Conservação do SeaWorld San Antonio, que acompanhou o primeiro transporte. “Nosso time está totalmente focado em apoiar cada baleia nessa transição, com cuidado individual, paciência e bastante observação para garantir o bem-estar de cada uma. Estamos otimistas com o que vem pela frente, mas sabemos que cada animal vai se adaptar no seu próprio tempo.”
ADAPTAÇÃO AO NOVO LAR
Embora as belugas tenham recebido autorização para viajar por parte dos veterinários canadenses, ainda existem algumas lacunas de conhecimento sobre a condição geral desses animais. Os aquários envolvidos esperam aprender muito mais sobre a saúde e a condição das belugas nos próximos dias e semanas. Por enquanto, os tratadores estão respeitando o ritmo delas.
“Vamos observar comportamentos como forrageamento, exploração, alimentação e socialização, todos indicadores de que as belugas resgatadas estão bem”, disse a Dra. Tang. “Nossas equipes estarão de prontidão para agir a qualquer momento, caso identifiquemos que alguma das belugas precise de atenção mais urgente."
Ambas as instituições já abrigam grupos multigeracionais de belugas. À medida que as baleias resgatadas comecem a explorar seus novos lares, os aquários iniciarão, aos poucos, as apresentações entre os animais.
COMO TUDO ACONTECEU
A pedido do Marineland of Canada, e com o apoio do Fisheries and Oceans Canada (DFO), um grupo de aquários credenciados pela AZA dedicou o início deste ano a explorar uma solução de resgate para as baleias. Isso incluiu visitas ao parque por especialistas em cuidado e veterinária de belugas, que avaliaram pessoalmente os animais, conversaram com a equipe responsável por seus cuidados e analisaram detalhadamente os registros de saúde para aprender o máximo possível sobre as baleias.
Em um cronograma bastante apertado, os especialistas usaram essas informações para avaliar a viabilidade de diversos cenários de resgate, priorizando a segurança e as necessidades físicas e sociais de cada animal individualmente. Em seguida, os aquários apresentaram um plano ao DFO, ao Marineland e à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, sigla em inglês) para análise e emissão das autorizações necessárias para o resgate.
“Ajudar animais é o que fazemos, está em nossa natureza”, disse Dan Ashe, Presidente e CEO da AZA. “Mais uma vez, zoológicos e aquários credenciados se mobilizaram para oferecer conhecimento técnico essencial, recursos financeiros e um lar para animais que precisavam de ajuda. Estamos extremamente orgulhosos de como nossos aquários credenciados se uniram para este momento e para acolher essas belugas resgatadas sob seus cuidados pelo resto da vida.”
O QUE VEM A SEGUIR
À medida que as belugas resgatadas continuam se adaptando, o grupo mais amplo de aquários seguirá coordenando os próximos esforços de resgate para os animais que permanecem no Marineland. O grupo vai aproveitar os aprendizados deste primeiro transporte e aplicá-los às próximas movimentações.
Assim como no primeiro resgate, os detalhes e cronogramas dos próximos resgates devem sofrer alterações de acordo com as necessidades dos animais, e não serão divulgados publicamente com antecedência, por questões de segurança de todos os envolvidos.
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